Um (egocêntrico) líder ausente
Mesmo contestada, a seleção de Portugal garantiu a classificação para a Copa do Mundo de 2026 com uma goleada histórica de 9 a 1 em cima da frágil e já eliminada Armênia. Foi um verdadeiro massacre português no Estádio do Dragão, em 16 de novembro.
Coincidentemente (ou não), a sonante vitória foi desenhada sem a participação da maior figura da equipe: Cristiano Ronaldo, que estava suspenso. Fora expulso no jogo anterior, na derrota de 2 a 0 para a República da Irlanda.
A exibição portuguesa de luxo, especialmente no segundo tempo, voltou a fazer soar os alarmes sobre a utilização frequente de Ronaldo pelo selecionador espanhol Roberto Martínez. Uma insistência cada vez menos justificável.
Não é de hoje, na verdade, que boa parte da imprensa — e também da torcida — acredita que Portugal joga (muito) melhor quando não tem em campo o maior nome da história do futebol do país.
Aos 40 anos e atuando no ainda pouco exigente futebol da Arábia Saudita, CR7 naturalmente já não é mais o mesmo. Faz parte. O tempo chega para todos, até mesmo para os gênios.
Sem Ronaldo frente aos armênios, os portugueses acabaram por jogar de forma mais intensa, organizada e, sobretudo, coletiva. O que, convenhamos, surpreendeu um total de zero pessoas.
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Ficou claro que há espaço de sobra para Nuno Mendes, João Cancelo, Vitinha, Bruno Fernandes, João Neves, Bernardo Silva, Rafael Leão e companhia brilharem. São vários os craques à disposição de Martínez.
Além disso, Gonçalo Ramos, aquele que é o suplente principal de Ronaldo, quase sempre dá conta do recado. Foi assim na última Copa do Mundo no Qatar. E foi assim também contra a própria Armênia.
Apesar de toda a discussão tática e técnica, a grande ausência de Cristiano Ronaldo foi mesmo sentida fora das quatro linhas. Nesse caso, a crítica foi praticamente unânime.
O capitão português nem sequer esteve presente no Estádio do Dragão para apoiar os companheiros. Consequentemente, também não deu as caras nos festejos preparados pela Federação Portuguesa de Futebol e pelo Governo Português.
Indiscutivelmente, Cristiano Ronaldo errou. Errou feio. Deixou o grupo na mão em um momento crucial, uma vez que Portugal precisava do triunfo para carimbar o passaporte para a próxima Copa.
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O gesto pouco amigável fez lembrar outro (recente) momento marcante, desta vez em um contexto infinitamente mais importante, quando Ronaldo optou por não aparecer no velório e no enterro do companheiro Diogo Jota, vítima de acidente mortal de carro.
Naquela triste ocasião, no começo de julho, o ídolo português foi duramente repreendido pelo sumiço. Não foi digno da liderança — e da grandeza — que carrega nas costas. Até então, parecia um caso isolado. Infelizmente, agora já percebemos que não foi.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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