Uma em cada cinco pessoas deverá enfrentar algum tipo de câncer ao longo da vida
Quatro tipos principais de câncer afetam os pacientes, colorretal, pulmão, próstata e mama. A prevenção está diretamente ligada à redução dos fatores de risco.
O Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado nesta terça-feira (4), destaca a importância de falar abertamente sobre a doença, promover a prevenção e fortalecer o apoio às pessoas afetadas.
Neste ano, a campanha “Unidos por Cada Um” reforça a ideia de que cada pessoa vive o câncer de forma única, mas que a união da sociedade pode reduzir o impacto da doença e ampliar o cuidado com pacientes e familiares.
A data é marcada por diversas iniciativas de conscientização e debates promovidos pela União Europeia e também em Portugal.
Apesar dos avanços científicos, uma em cada cinco pessoas deverá enfrentar algum tipo de câncer ao longo da vida, segundo estimativas da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC).
Relatórios da Comissão Europeia sobre o câncer, divulgados em 2025, mostram que as taxas de sobrevivência aumentaram 12% em toda a União Europeia. No entanto, a prevalência da doença cresceu 24%, e ainda existem desigualdades significativas entre os países do bloco.
Os dados indicam que cerca de metade dos casos de câncer está concentrada em quatro tipos principais: colorretal, pulmão, próstata e mama.
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Houve avanços na redução de fatores de risco, como a queda do tabagismo e do consumo de álcool. Por outro lado, o excesso de peso e a obesidade continuam sendo um desafio, já que mais da metade dos adultos na União Europeia está acima do peso.
Também segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase quatro em cada dez casos de câncer poderiam ser evitados, pois estão associados a fatores de risco preveníveis, como o uso de tabaco e álcool.
Fatores de riscos
Em 2022, aproximadamente 7,1 milhões dos 18,7 milhões de novos casos de câncer diagnosticados em adultos no mundo foram atribuídos a fatores de risco evitáveis, de acordo com estudo apresentado pela OMS. A pesquisa analisou 30 causas preveníveis, incluindo tabagismo, consumo de álcool, obesidade, sedentarismo, poluição do ar, radiação ultravioleta e infecções.
O estudo também apontou que os cânceres de pulmão, estômago e colo do útero correspondem a quase metade dos casos evitáveis. O câncer de pulmão está relacionado principalmente ao tabagismo e à poluição do ar; o de estômago, à infecção pela bactéria Helicobacter pylori; e o de colo do útero, ao papilomavírus humano (HPV).

A carga de câncer evitável é maior entre os homens, com o tabagismo respondendo por cerca de 23% dos novos casos. Entre as mulheres, as infecções lideram, com 11% dos casos.
Para a OMS, os dados reforçam a necessidade de estratégias de prevenção adaptadas a cada realidade, incluindo controle rigoroso do tabaco, regulamentação do álcool, vacinação contra o HPV e hepatite B, melhoria da qualidade do ar e incentivo a hábitos de vida mais saudáveis.
“Estamos celebrando boas notícias baseadas na ciência. Muitos tipos de câncer podem ser prevenidos”, afirmou Andre Ilbawi, líder da equipe de controle do câncer da OMS. Segundo ele, os números de novos casos podem ser reduzidos com medidas eficazes de prevenção.
Debates e iniciativas pelo país
A Escola de Medicina da Universidade do Minho, em colaboração com a Liga Portuguesa Contra o Cancro – Delegação de Braga, promove a 3.ª edição de “Cancro em Perspetiva”, uma iniciativa aberta ao público que visa aproximar ciência, prática clínica e experiência humana da doença oncológica.
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O programa inclui sessões temáticas dedicadas à investigação, tratamento, nutrição e psicologia, conduzidas por especialistas e uma mesa-redonda subordinada ao tema “O cancro em diálogo: ciência, cuidado e sociedade”.
A Câmara Municipal do Funchal promove a iniciativa “Oncologia Pediátrica: Saberes e Trajetos de Esperança”.
No Porto o Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC-NRN) organiza um conjunto de iniciativas que culmina com a realização de um cordão humano.
susana@revistaentrerios.sapo.pt
Lisboa
Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade Técnica de Lisboa e fez mestrado em Jornalismo Internacional na Puc – São Paulo, entre outras formações.
Iniciou a sua carreira na TV SIC Notícias e foi correspondente Internacional da TVI no Brasil e outros países da América Latina.
Trabalhou na TV Globo Portugal no magazine cultural “Cá Estamos” e desenvolveu projectos dedicados ao canal em Portugal. É ainda autora de três livros.
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