Via Brasil: COP do Brasil pode mudar o mundo
COP30 em Belém marca a “COP da Implementação”, com o Brasil no centro da transição energética e da luta global contra o aquecimento do planeta
O Brasil sedia este mês o maior evento climático do planeta. A COP30, em Belém, será a COP da Implementação, um ponto de virada, se os países finalmente tirarem do papel os planos para limitar o aquecimento global a 1,5 °C — meta do Acordo de Paris. Isso inclui o financiamento, pelos países ricos, de medidas para proteger as populações das nações em desenvolvimento.
O mundo já aqueceu 1,3 °C, e as emissões continuam em alta. O Brasil, um dos protagonistas na defesa do Acordo de Paris, conta com uma matriz energética diversificada, mas enfrenta desafios em todas as regiões.
A esperança vem do Norte

No Brasil, 46% das emissões vêm de desmatamento e uso da terra. Grande parte ocorre na Amazônia, onde uma em cada três pessoas vive na pobreza. Proteger a floresta é vital, mas, sem alternativas econômicas, o combate ao desmate pode ampliar a desigualdade.
Ventos do Nordeste
O governo federal deve concluir em novembro as regras para leilões de energia eólica offshore na costa do Nordeste. A transição pode atrair bilhões e reposicionar o Brasil, mas pressiona licenciamento ambiental e gera conflitos com comunidades tradicionais.
Descarbonização no Sudeste
São Paulo aposta em hidrogênio verde, e Minas, em baterias e mineração sustentável. Os estados disputam a liderança da economia de baixo carbono. O resultado definirá o protagonismo da região, produtora de petróleo, na transição energética do Brasil.
Reconstrução no Sul
Um ano e cinco meses após as enchentes, as primeiras grandes obras saem do papel, mas só um terço dos recursos chegou aos municípios. Burocracia, política e resistência do agronegócio ainda travam a adaptação. Há risco de repetir o passado e reconstruir sem resiliência.

Centro-Oeste: agro na berlinda
O avanço do agro sobre o Cerrado se acelera em novembro com novos projetos de irrigação e crédito rural. A região lidera exportações, mas enfrenta pressão internacional por desmatamento. O desafio é produzir mais sem comprometer água, clima e biodiversidade.
A sociedade na COP da Implementação
A COP não é feita só de governos. Tornou-se o maior encontro mundial de ONGs que pressionam, influenciam políticas e propõem soluções concretas contra o aquecimento do planeta. Algumas delas em destaque no Brasil são:
Instituto Clima e Sociedade (ICS)
Atua como articulador de políticas públicas e financiador de iniciativas de transição energética, mobilidade sustentável e governança climática no Brasil. É uma das vozes mais influentes na ponte entre ciência, sociedade e governo.
Observatório do Clima
Rede com mais de 90 organizações, monitora emissões de gases de efeito estufa e pressiona por transparência. Criador do SEEG, base de dados climáticos.
Arayara.com
Especializada no combate aos fósseis e referência em litigância climática e campanhas contra térmicas a carvão, gás e petróleo. Defende a proteção de comunidades impactadas, energias renováveis e justiça social.
Talanoa
Think tank que produz análises e dados para orientar políticas climáticas. Ajuda a transformar compromissos em estratégias reais de implementação.
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam)
Formula políticas antidesmatamento, agricultura de baixo carbono e mercado de carbono. Conecta ciência, governos e setor privado para implementar soluções em escala.

WWF-Brasil
Braço nacional da maior ONG ambiental do mundo. Trabalha com conservação da biodiversidade, restauração de ecossistemas e políticas para zerar o desmatamento.
Organizações como essa mostram que enfrentar a crise climática é também construir caminhos locais, justos e possíveis. Se esta for mesmo a COP da implementação, será também a COP da sociedade civil.
Essa entrevista foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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