Viagem de trem na Suíça: conheça as rotas mais incríveis
A rede ferroviária da Suíça serpenteia entre geleiras, cidades, montanhas e Alpes revelando belezas e encantos
Viajar de trem pela Europa leva o turista, em poucas horas, a atravessar fronteiras, trocar de idioma e mergulhar na cultura local, tudo sem enfrentar aeroporto ou deslocamentos complicados. Mesmo sem ligação ferroviária direta de Portugal para outros países, pode-se começar a jornada com um trecho rápido até a Espanha — de carro, ônibus ou avião — e, a partir dali, deixar que os trilhos conduzam a aventura.
A Suíça tem uma das redes ferroviárias mais impressionantes do mundo, com 29 mil quilômetros que cortam cidades, atravessam vilarejos e serpenteiam os Alpes.
Entre os trajetos famosos está o lendário Glacier Express, que liga Zermatt, no sul, a St. Moritz, no leste. São cerca de oito horas de viagem panorâmica pelos Alpes, atravessando 91 túneis e 291 pontes. Conhecido como o trem expresso mais lento do mundo, o Glacier Express revela a geleira Jungfrau-Aletsch e o chamado Grand Canyon da Suíça, passando por cidades charmosas como Chur e Andermatt.

Para uma experiência ainda mais exclusiva, a classe Excellence eleva o passeio a outro nível: um concierge serve champanhe, drinques, petiscos e um almoço sofisticado de cinco pratos harmonizados com vinhos. Um sistema de infotenimento (palavra que significa a junção de entretenimento e informação) em iPads apresenta curiosidades em oito idiomas. É uma viagem que resgata a era de ouro dos trens de luxo, atualizada para a modernidade.
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Outro destaque dos trilhos suíços é o Bernina Express, que conecta Chur, no leste, a Tirano, na região italiana da Lombardia, a apenas dois quilômetros da fronteira. A rota, reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco, tem duração de quatro horas e meia e atravessa 55 túneis e 196 pontes, incluindo o icônico Viaduto de Landwasser. Os vagões modernos têm janelas panorâmicas para glaciares, lagos cristalinos e a curva de Montebello com vista para a Cordilheira Bernina.
Entre os pontos altos estão a geleira Morteratsch, os lagos Lej Pitschen, Lej Nair e Lago Bianco, a estação de montanha Alp Grüm e o viaduto circular de Brusio. Já o Vigezzina-Centovalli, que parte de Domodossola, na Itália, e segue até Locarno, sul da Suíça, é um encanto à parte. São apenas 52 quilômetros, mas parecem durar muito mais — e você vai desejar que dure mesmo, diante de vales profundos, vilarejos e o riacho de montanha Melezza.

O percurso permite paradas estratégicas para explorar cidades. Estações como Camedo, Verdasio e Intragna convidam para caminhadas ou um tour pelas vilas alpinas. Em Verdasio, um teleférico leva até a aldeia de Rasa, a 900 metros de altitude, com casinhas de pedra, jardins impecáveis e total silêncio. Silêncio, aliás, é quase lei nos trens suíços. Há até vagões onde não é permitido conversar e, menos ainda, falar no celular. São duas horas de pura contemplação.
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Durante o trajeto, é possível observar montanhas de quatro mil metros, vales, colinas, pomares, aldeias e, o mais especial, o elevado de Sitter. Com 99 metros de altura, é o viaduto ferroviário mais alto do país. Para famílias, o trem oferece uma carruagem especial decorada e com jogos de tabuleiro e atividades capazes de manter crianças e bebês entretidos, permitindo que todos curtam a viagem com conforto e sossego. O custo varia, dependendo do tipo de bilhete, da rota e da classe escolhida. Vai de aproximadamente €291 na 1ª classe a €261 na segunda,em períodos de três dias.
renata@revistaentrerios.sapo.pt
Essa matéria foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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