Economia

Web Summit: brasileiro impulsiona startups de cibersegurança em Portugal

Programa foca na atuação de brasileiros com startups voltadas a cibersegurança e já vislumbra segunda edição

Startups incubadas pelo Cybertech Acceleration durante o Web Summit 2025. Crédito: Flavia dos Anjos/Incubou

O Brasil lidera o ranking de ciberataques na América Latina, mais de 550 mil ocorrências de ataques (em um universo de 1,07 milhão em toda a região). O Relatório da Netscout apontou para um crescimento de 54% nos ataques no país no primeiro semestre de 2025. Em Portugal, o cenário se repete, com os ataques apresentando um aumento de 26% no ano passado em relação a 2023.

Foi com essa necessidade de mercado que o brasileiro Thiago Vieira, CEO da Incubou, aceleradora e incubadora de startups em Portugal, optou por se especializar na área de cibersegurança e estimular o crescimento de empresas desse segmento. Com isso, ele criou o Cybertech Acceleration.

Nós vimos que o mercado português não tinha uma aceleradora específica para a área. E resolvemos inovar ainda mais acelerando startups de cibersegurança do Brasil que buscam se internacionalizar em Portugal”, apresenta ele.

O mercado de cibersegurança cresce 10% ao ano e é considerada a segunda principal necessidade em relação a startups e inovação nos Estados Unidos, atrás apenas de healthtechs e à frente da Defesa.

“Vivemos em uma guerra cibernética que parece invisível, mas está presente diariamente. É um momento em que os ciberataques, as espionagens, sabotagens e golpes virtuais são cada vez mais comuns, então as startups que conseguem explorar esse caminho saem na frente”, reforça ele.

O executivo lembra ainda de todas as proteções necessárias para empresas em relação a compliance, privacidade, proteção e governança de dados e informações estratégicas. “A gente espera que nos próximos nos anos essa demanda só vai aumentar”, frisa.

Cybertech Acceleration

O programa de aceleração foi realizado com doze startups que vieram do Brasil e que foram criadas por brasileiros em Portugal.

Apesar de receber inscrições de empresas de países do mundo todo, Vieira optou por realizar o programa apenas com doze startups brasileiras e que foram criadas por brasileiros em Portugal. Ele afirma que se tornou algo orgânico.

“Nosso relacionamento com o Brasil já era muito grande então foi mais fácil para gente identificar e com e conversar com estabelecer parcerias com as incubadoras aceleradoras do Brasil para ajudar a captar startups elegíveis para o programa”, explica.

Thiago Vieira, criador do programa de aceleração para startups de cibersegurança. Crédito: Flavia dos Anjos/Incubou.

O criador da iniciativa conta que acabou ficando conhecido por ser uma incubadora de imigrantes, ainda que oficialmente não se denomine assim.

“Passei por todo esse processo de se estabelecer num novo país e começar do zero. Então, organicamente, as pessoas me procuraram e tinham passado por um problema parecido”, declara.

O processo de aceleração de cinco meses contou com mentorias, capacitações, treinamentos de pitches, além de orientações para a estruturação das próprias empresas, questões migratórias dos próprios fundadores, documentações e acesso a fundos. Ao longo desse processo, já há estimativas de mais de 130 mil euros em investimentos captados, aplicações para fundos públicos e privados, além de negócios já fechados fora de Portugal.

Futuro

Vieira afirma que o programa já obteve um feedback muito positivo por parte do Ministério da Economia em Portugal e das próprias startups. Em fevereiro, deve iniciar sua segunda edição e focar na internacionalização das startups brasileiras e portuguesas para os Estados Unidos, com o objetivo de captar investimento.

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Empresas do segmento se expandem para o mundo

A Secure Nova, startup de Blumenau (SC), foi uma das aceleradas pelo programa e atua ajudando empresas a identificar e corrigir vulnerabilidades em seus produtos digitais. Isso é feito com envios de alertas por e-mail, SMS ou até mesmo nas plataformas de gestão de tarefas, como o Jira, além de bancos.

“É como se a gente procurasse pelas portas e janelas quebradas de uma casa, mas no ambiente digital, de forma constante. Traduzimos as informações técnicas em uma linguagem simples, para que o time consiga resolver rápido”, explica Luana Favetta, fundadora da empresa.

Com o programa de aceleração, a empresa pode se preparar em relação a questões jurídicas, administrativas, de marketing e realizou treinamentos, pitches e mentorias.

Educação para cibersegurança

Já a Cittadino Educacional, de Santa Catarina, é uma solução de educação focada em letramento digital que proporciona às escolas materiais e ferramentas didáticas para ajudar as novas gerações a se proteger de ataques virtuais e crimes cibernéticos.

“Existem diversas questões relacionadas às empresas que envolvem questões comportamentais e emocionais e o que fazemos é procurar ajudar a combater a violência digital, os discursos de ódio e ciberbullying, além de toda a questão de segurança digital”, destaca a fundadora da empresa Jeciane Golinhaki.

A empresa, fundada exclusivamente por mulheres, todas professoras, já atende mais de 30 escolas e mais de 10 mil crianças e adolescentes de todo o Brasil. A startup também já têm clientes em Portugal, inclusive com sede no país, e na Austrália.

“Existe muita similaridade em relação à obrigação do letramento digital nas escolas e percebemos a necessidade da expansão desse tema em Portugal. Queremos oferecer estruturas, suportes e programas especializados para que as escolas possam oferecer esses ensinamentos”, detalha.

Segundo Jeciane, as soluções da empresa são físicas e também digitais, inclusive com o uso de Inteligência Artificial generativa para instruir tanto alunos quanto professores.

Prevenção a ataques hackers

David Silva é outro brasileiro que investiu na inovação: fundou a CyberX The Ethical Hacking Services, uma plataforma de IA focada em coletar dados de redes sociais e calcular a probabilidade de ocorrer ataques de hackers e outras vulnerabilidades no mundo virtual.

“Com a coleta de elementos, conseguimos fortalecer a segurança de empresas e levar as informações para as autoridades no caso de crimes”, destaca. Ao lado de outro sócio também brasileiro, criou a empresa em Portugal e enfrentou dificuldades até que o negócio engrenasse.

“Passamos praticamente um ano sem clientes. No Brasil, já é mais forte a cultura da cibersegurança, enquanto aqui era mais difícil iniciar porque ninguém te conhece”, relata.

Com a participação no programa Cybertech Acceleration, eles já expandiram para os Estados Unidos, no Canadá, no Luxemburgo, na Espanha, no Reino Unido, no Catar, na Lituânia, além de ter aberto operações no próprio Brasil.

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Lisboa

Jornalista com graduação pela PUCPR, MBA em Rádio e TV pela Universidade Tuiuti do Paraná e mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa. Atuou como repórter da Gazeta do Povo nas editorias de economia, negócios e política e no portal TechTudo, além de experiência em veículos esportivos e especializados em tecnologia.

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