Web Summit: café do Cerrado mineiro usa IA para elevar a qualidade
Projeto da Universidade Federal de Uberlândia, aplica IA para orientar produtores e transformar grãos em cafés especiais de alto padrão
No estande brasileiro do Web Summit, em Lisboa, a pesquisadora Líbia Diniz Santos apresentou o Café Corandu, da Casa Bruxa, um grão de 87 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA): “Acima de 80 pontos, o café já é especial”, explicou.
Com notas sensoriais de mel, caramelo, chocolate e açúcar mascavo, o Corandu conquista seu status a partir da prova de xícara conduzida por profissionais certificados para avaliar cafés no mundo todo.
O que diferencia o Corandu, porém, não é apenas o perfil sensorial. Segundo Líbia, a tecnologia mudou a forma como produtores do Cerrado Mineiro conduzem o pós-colheita:
“Eles tinham muitas dúvidas sobre como transformar um fruto excelente em um café especial”, relatou.
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Para apoiar essa etapa crítica, a equipe da Universidade Federal de Uberlândia desenvolveu sensores e sistemas que coletam dados químicos, físicos, microbiológicos e sensoriais.
“Usamos IA para analisar esses dados e indicar o melhor processo de pós-colheita, como tempo e condições de fermentação”, detalhou.
O projeto ativo desde 2019, já atendeu mais de 12 produtores da região. Entre os resultados, está o Topázio fermentado, um dos cafés mais vendidos pela Casa Bruxa: “a IA entrega ao produtor o poder de decisão para alcançar, ano após ano, a qualidade desejada”, afirmou Líbia.
A participação no Web Summit foi viabilizada por parceria com a Apex e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. “É a chance de mostrar que ciência e tecnologia fazem diferença no sabor do café”, completou a professora e pesquisadora do campus de Patos de Minas.
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