Xamã rompe fronteiras com rap, raízes indígenas e atuação no cinema
Com carreira consolidada entre Brasil, Portugal e países africanos de língua portuguesa, artista mistura sucesso musical, ancestralidade e presença crescente no audiovisual
Aos 35 anos, o carioca Xamã lançou seu mais recente álbum, “Fragmentado”. O trabalho transita entre hip hop, MPB, rock e outros ritmos brasileiros. O boom bap, vertente clássica do rap, também está lá. Os números do artista impressionam, com mais de 8 milhões de seguidores no Instagram.
No Brasil e em Portugal o hit “Malvadão” alcançou o número 1 no Spotify. Até chegar ao topo, ele batalhou muito. Vendeu roupa, bala e amendoim no trem, estudou Direito e hoje divide a carreira de cantor com a de ator.
Geizon Fernandes, seu nome de batismo, integra o elenco das produções de cinema e série “Justiça 2”, “O Maníaco do Parque” e a nova temporada de “Cangaço Novo”. É protagonista do filme brasileiro “Cinco Tipos de Medo”.

No seu álbum “Fragmentado”, o que o público vai encontrar?
É um xamã de 2020 pra cá. Porque são quatro anos sem lançar álbum. Antes, teve “Pecado Capital”, “O Iluminado” e “Zodíaco”. Nesses quatro anos, comecei a trabalhar com cinema, aconteceu o filme “Malvadão 3” e teve o som com a Marília Mendonça (a canção “Leão). Então, procurei trazer um pouco do underground e misturar com mainstream e rádio – e ficou bem bacana.
Em Portugal, Malvadão chegou ao top 1. Imaginava que conseguiria esse sucesso fora do Brasil?
Eu nunca imaginei. Com o tempo, acabou sendo a nossa profissão, e quando a gente viu a proporção alcançada por Malvadão é que entendemos. Sempre toquei em Portugal, desde 2019, mas depois de Malvadão o público ficou muito maior, a potência cresceu.
Agradeço muito ao DJ Gustah, que esteve comigo nessa produção, nessa faixa, e ao povo de Portugal, todos os países da África que ouviram e que ajudaram essa música ser o que é.
Outros países de língua portuguesa impulsionam a sua carreira?
Sim. Eu tive a oportunidade de tocar em Cabo Verde, na Baía das Gatas, em Luanda, em Benguela. Quero visitar outros países PALOPs (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). E em Portugal eu sempre gosto de vir tocar e geralmente eu venho nos verões. Fico muito feliz com essa repercussão toda, com esse trabalho, com o carinho de todo mundo.

Da música para o audiovisual, vamos falar de “Os Donos do Jogo”. Como é sua participação nesse trabalho?
Eu faço o Búfalo. Ele é um contraventor do Rio de Janeiro e é uma série sobre a máfia das escolas de samba. É uma história fictícia contando a história de muito poder, de troca de poder. Vai ser na Netflix a partir do segundo semestre. Espero que a galera curta bastante.
Você é filho de indígena e recebeu um Grammy Latino com o Cocar na cabeça. É uma simbologia muito forte.
Com certeza. Eu sempre tento fazer o meu resgate. Eu nasci em Sepetiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Aí eu fui buscar minhas raízes, origens, com os amigos ativistas Tukumã Pataxó e Txepo Suruí. Eles me ajudaram muito a fazer essa conexão dos povos indígenas através da música.
E a música me trouxe um Grammy. A própria música “Cachimbo da Paz 2” é uma denúncia sobre todo o genocídio, sobre o que acontece com os povos indígenas. Muitas das vezes, muitos indígenas que foram para a cidade não sabem as origens. Então a gente tenta trazer um pouco dessa plataforma musical para educar e politizar a galera.
A entrevista completa com Xamã está na edição impressa da EntreRios, já disponível nas bancas de Portugal e em versão digital.
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Jornalista com pós graduação em Marketing Digital. Atuou na TV Globo, Band, SBT, Record, TV Brasil e nas rádios Globo e CBN. Em Portugal apresentou telejornal para países lusófonos, na Banda TV. Foi repórter e colunista de cultura da Revista Brasil JÁ e atualmente assina a editoria de cultura da EntreRios.
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