Jogos Olímpicos de Inverno: Lucas Pinheiro Braathen conquista medalha inédita para o Brasil
Brasileiro dominou a prova e garantiu a medalha de ouro
O Brasil entrou para a história dos Jogos Olímpicos de Inverno. Neste sábado (14), em Milão-Cortina, Lucas Pinheiro Braathen fez uma atuação de impacto, venceu o slalom gigante e garantiu a primeira medalha de ouro do país na competição. Favorito desde o início, ele transformou expectativa em resultado e mostrou domínio absoluto da prova.
Na pista do Stelvio Ski Centre, Lucas foi o primeiro a descer na fase classificatória e já deixou o recado: cravou o melhor tempo do dia (1:13.92) e ninguém conseguiu superá-lo entre os 80 atletas. Na decisão, entrou por último entre os 30 finalistas, controlou a vantagem construída antes e fez uma descida segura, o suficiente para confirmar o título com 58 centésimos de folga.
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O pódio teve dobradinha suíça logo atrás, com Marco Odermatt levando a prata e Loic Meillard ficando com o bronze. Até então, o melhor resultado brasileiro em Jogos de Inverno havia sido o nono lugar de Isabel Clark em Turim 2006. Mais recentemente, Nicole Silveira havia alcançado o 13º lugar em Pequim 2022.
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A vitória consolida a fase impressionante do atleta de 25 anos, que desde 2025 soma cinco pódios em competições mundiais, sempre entre primeiro e segundo lugares. Em Milão-Cortina, Lucas não só fez história como deixou claro: o Brasil agora também sabe vencer no frio.
Quem é Lucas Pinheiro Braathen
Lucas nasceu em Oslo, na Noruega, tem 25 anos e cresceu entre dois mundos. Filho de pai norueguês e mãe brasileira, ele conheceu o Brasil ainda pequeno, quando a mãe, Alessandra, voltou para São Paulo após a separação. A vida acabou seguindo outro rumo, e Lucas retornou à Noruega para viver com o pai, mas o vínculo com o Brasil nunca se perdeu.
O esqui entrou na vida de Lucas quase por insistência do pai, que trabalhava em diferentes estações da Noruega. A princípio, o esporte não empolgou. A virada veio aos oito anos, quando ele viu um grupo de esquiadores descer a montanha em alta velocidade. Dali em diante, não parou mais.

O talento o levou rapidamente ao topo do esqui alpino mundial, com destaque para o slalom, a prova mais técnica da modalidade. Pela Noruega, conquistou títulos importantes, incluindo a Taça do Mundo de slalom em 2023, e se consolidou como um dos grandes nomes da geração.
A carreira, no entanto, sofreu uma ruptura pouco depois do auge. Um conflito com a federação norueguesa fez Lucas anunciar uma pausa no esporte. Ele falava em liberdade, em buscar espaço para outras paixões como música, arte e moda, áreas nas quais sempre se expressou sem receios.
A ausência durou menos do que parecia. Na temporada seguinte, Lucas voltou às pistas, agora defendendo o país da mãe. A escolha pelo Brasil não surgiu como gesto simbólico, mas como decisão pessoal e esportiva. Competir por um país sem tradição no esqui de alto nível representava um novo começo.
Os resultados vieram rápido. Em Levi, na Finlândia, Lucas se tornou o primeiro brasileiro a vencer uma etapa da Copa do Mundo de esqui alpino. Somou outros pódios na temporada e chegou aos Jogos de Milão entre os líderes do ranking mundial do slalom e também bem colocado no combinado, que reúne as quatro disciplinas do esqui alpino. Pela primeira vez desde a estreia olímpica brasileira no inverno, em 1992, a possibilidade de medalha deixou de ser apenas discurso otimista.
renata@revistaentrerios.pt
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