Saúde e a educação são as principais preocupações dos países lusófonos, diz estudo
Pesquisa foi realizada com mais de 5,6 mil pessoas de oito países que falam português no final do ano passado
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) lançou nessa quarta-feira (28), em Lisboa, o Barômetro da Lusofonia, uma pesquisa completa com o objetivo de analisar e ampliar o conhecimento mútuo entre os países de língua portuguesa. O estudo faz parte das comemorações dos 30 anos da CPLP.
Ao todo, foram entrevistadas mais de 5,6 mil pessoas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, entre outubro e novembro de 2025, com adultos com mais de 18 anos de ambos os sexos. Apenas no Brasil foram 1800 entrevistas e 600 em Portugal.
O professor Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) e coordenador do estudo, afirmou que em um enquadramento em que os países não partilham fronteiras, a língua portuguesa deixa de ser um instrumento funcional e converte-se num espaço simbólico de pertença.
“O estudo revela, assim, a sua importância não só pela abrangência temática, mas por enunciar vínculos simbólicos, culturais e identitários, sendo que as informações sistematizadas deverão fomentar iniciativas de cooperação e intercâmbio nas dimensões económica, educacional, social, cultural e institucional”, disse ele.
O que preocupa os países lusófonos
Os habitantes dos países lusófonos apontaram como as principais preocupações das suas vidas a saúde (53%), a educação (43%), o desemprego (34%), a violência (18%) e o aumento de preços (17%). Individualmente, a saúde e a educação lideram as principais preocupações dos entrevistados.
Já em Portugal, depois da saúde (55%), aparecem educação (35%), economia (22%) e imigração (17%) como os maiores temores da população. Ao contrário dos demais países, a preocupação com o desemprego ainda é baixa, com apenas 9%.
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“Isso não significa que a saúde de nenhum desses países seja tão boa, seja melhor do que a de Portugal. Significa que, infelizmente, eles têm outros problemas e maiores que vêm à frente até de uma questão tão importante que, provavelmente, também os aflige como a saúde”, afirmou Antonio Lavareda, coordenador do estudo, à ONU News.
Portugal também é o grande destino de interesse dos habitantes de países lusófonos, com 62% de preferência. O desejo de morar no país europeu é de 81% na Guiné-Bissau, 79% no Timor-Leste e 73% em Cabo Verde. Já no Brasil, 49% dizem querer morar em Portugal e 44% dizem não querer viver em qualquer país da comunidade lusófona.
O Brasil é o segundo destino mais desejado dos entrevistados com 32% das escolhas.
Brasileiros
No Brasil, os principais itens de preocupação são a saúde (45%), violência (40%) e educação (35%), além da inflação com 25%. Lavareda também destacou o dado ligado à segurança no país.
“Quanto mais jovem uma sociedade, maior a incidência de criminalidade. Agora mesmo, por exemplo, o número de homicídios reduziu-se nos últimos 5 anos, caiu em torno de 20%”, afirmou.
O levantamento também apontou os dados em relação à insatisfação com a democracia e o Brasil foi o que apontou, nesse tópico, o maior índice entre os países pesquisados. Apenas 33% dos brasileiros se mostram satisfeitos com a democracia e 62% estão insatisfeitos.
O índice de insatisfação é maior que o indicado na Angola, com 61%, país em que a institucionalidade política é muito mais frágil. Em Portugal, 61% estão satisfeitos e 37% insatisfeitos.
Imigração
A pesquisa apontou ainda que 64% dos entrevistados enxergam a imigração como algo positivo, alcançando 91% da população em São Tomé e Príncipe. A exceção é Portugal, em que 52% se mostram contrários à imigração. No Brasil o índice positivo é de 56%, enquanto 27% são desfavoráveis à imigração.
Além disso, 68% dos entrevistados acreditam que seus países possuem ambientes favoráveis à imigração, enquanto 28% consideram desfavoráveis.
Sobre o estudo
O estudo perguntou aos habitantes dos países lusófonos sobre temas como identidade cultural, heranças históricas, indústrias criativas, desinformação, consumo de informação e mídia.
Inclui, ainda, dados sobre relações de trabalho, educação, sustentabilidade ambiental, minorias, segurança pública, governança, liberdade de expressão e funcionamento das instituições democráticas.

O estudo gerou livro em versão física e digital, um ciclo de seminários internacionais e uma base de dados que será disponibilizada a instituições de ensino e investigação ligadas à Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP).
O estudo foi realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), sob coordenação do professor Antonio Lavareda e conta com o apoio institucional da CPLP, Ministério da Cultura do Brasil, da Missão do Brasil junto à CPLP, da AULP, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Fundação Itaú, da FGV Conhecimento, da Fundação Joaquim Nabuco e da Universidade de Coimbra, entre outras instituições acadêmicas e culturais.
Lisboa
Jornalista com graduação pela PUCPR, MBA em Rádio e TV pela Universidade Tuiuti do Paraná e mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa. Atuou como repórter da Gazeta do Povo nas editorias de economia, negócios e política e no portal TechTudo, além de experiência em veículos esportivos e especializados em tecnologia.
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